Dani, carioca morando em São Paulo, balzaquiana. Tradutora de inglês, taróloga, mãe - não necessariamente nessa ordem. Interessada em escultura, cinema, partos, portos, livros, línguas, gente e um punhado de outras coisas.
Quinta-feira, Junho 12, 20086:11 PM O velho jogo do currículo aí da coluna da direita, reeditado em versão x-rated no Pequenos Delitos (que aliás também é x-rated, cuidado aí na hora de clicar no linque).
Quem se habilita?
Eu tenho que dizer que me diverti horrores fazendo a minha listinha (e que para o desespero dos curiosos ela ficou absolutamente im-pu-bli-cá-vel ;).
Sábado, Maio 24, 200811:56 AM A gargalhada da menina é uma avalanche de bolinhas colorindo o chão da sala.
Eu junto à janela tento uma concentração improvável (conheço bem estes dias de idéias à deriva e olhos fundos rasos d'água).
Quarta-feira, Abril 30, 20089:28 PM Então você passa uma vida tentando ignorar a sua natureza-carangueja e um belo dia descobre que já está pendurada pelo pé há anos e nem tinha se dado conta disso (e sim, as pinças são afiadas).
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A menina termina o almoço com fome simplesmente porque não consegue parar quieta na cadeira cinco minutos que sejam, corre do quarto para a sala para a cozinha feito uma bolinha de pinball, chupa picolé de cabeça pra baixo falando pelos cotovelos ao mesmo tempo.
E depois ainda dizem que esse negócio de astrologia é crendice.
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Posso confessar uma coisa? Eu tenho antipatia gratuita por gente que manda beijo-no-coração.
Quarta-feira, Abril 23, 200811:37 AM GOD (!!), invocação maiúscula sobre a asa direita, assento 15F na frota mais moderna do Brasil. Aeromoças de camiseta, laptop com pão de queijo no saguão e os meus sonhos que são tão outros.
Espio a cabeça raspada e o sotaque diferente do moço, sorrio por dentro quando ele saca bloquinho e caneta analógicos e se senta na fileira 13. Coisas prosaicas assim. O executivo na poltrona ao lado pergunta pelos filhos, chama a mulher de lindinha e usa relógio de grife, lá na frente duas moças riem baixinho. Aceita um suco, senhora? Turbulência e revista de bordo, goiabinha hoje não (O executivo aceita. Para as crianças). A lua quase míngua lá em cima, os muitos metros nadados mais cedo parece que foram em outra vida.
Senhores passageiros, apertem os cintos, recolham sua própria sujeira, fiquem atentos à bagagem de mão.
No Rio de Janeiro, o tempo é quente. Sempre.
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Eu estou vestida com as roupas e as armas de Jorge. Eu tenho uma filha que hoje completa 7 anos.
Quarta-feira, Abril 16, 200810:02 PM O amigo contou meio em tom de piada que parou pra comprar cigarro no boteco e o caixa demorou a atender porque estava navegando no Orkut. O azulzinho-cinza do (sic) site de relacionamentos está mesmo por toda parte, sucesso total em dez entre dez telas na lanhouse do bairro, nos notes dos executivos no embarque da ponte aérea, nas mesas de canto do escritório, no micro da secretária do dentista e agora também no caixa do boteco. Quanto menos as pessoas se relacionam mais elas se relacionam, parece. Vai ver que o anacrônico era o amigo, que em vez de ficar abismado deveria ter saído de casa munido do seu conectável* portátil, acessado o famigerado site, buscado a comunidade do bar do Seu Antônio e deixado um scrap na página do Zé do caixa: Ô companheiro, vê um Marlboro aí!. Fácil.
celular ? palm? a lista de opções aumenta todo dia.
7:31 PM Incrível morar numa cidade quatro anos e nunca ter reparado nos fins de tarde tão apocalipticamente rosados.
Incrível morar num mesmo prédio quatro anos e nunca ter reparado na vizinha de cabelo espetado e sotaque diferente que mora dois andares abaixo.
(se bem que essa, além de ter me oferecido pamonha no elevador, desconfio que se mudou pra cá há menos tempo)
Quarta-feira, Fevereiro 20, 200810:48 PM Mas lembre de beber água, ela sorriu casual.
De respirar também, acho que preciso.
O corpo expulsou a jóia que abrigava há anos e fechou o furo. Decidido assim.
Eu da minha parte mandei fazer uma canja, catei um comprimido, dei um telefonema.
Hoje tem lua cheia e eclipse, e este fevereiro que não acaba.
Hoje a menina perguntou como se faz pra escrever um livro, e enfim veio uma notícia feliz.
Choveu à tardinha, voltamos a pé.
E a casa toda cheirava a canela.
Terça-feira, Fevereiro 12, 20087:04 PM De saída, ela fez a título de despedida um retrato muito sensível desta cidade-que-não-acaba, que tantas vezes ainda me desce dura demais pela garganta mas que com o tempo tem revelado boas surpresas, me fazendo ter a certeza de que quando chegar a nossa vez de ir eu também vou ter saudades. Boa vida nova, querida!
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Felicidade é chegar sem ser notada, se trancar no quarto e conseguir paz completa por meia hora porque todo mundo acha que você ainda está na rua.
(ou: coisas que só passam na cabeça de uma mãe que trabalha em casa)