Dani, carioca morando em São Paulo, balzaquiana. Tradutora de inglês, taróloga, mãe - não necessariamente nessa ordem. Interessada em escultura, cinema, partos, portos, livros, línguas, gente e um punhado de outras coisas.
Sexta-feira, Janeiro 23, 20092:27 PM Por que não podemos conviver com a tranqüilidade de prever o futuro próximo? ... os próximos três meses não fariam mal. Tempo suficiente para saber se sim, se não.
Sexta-feira, Janeiro 16, 200911:03 AM Receita do floral, lista de mercado, conta que vence hoje.
Na lotérica estão vendendo Avon - quem arrisca a sorte garante rugas a menos, tudo de uma vez só.
Dois músicos esquecem o café no balcão da padaria, o sebo abre as portas, alguém anuncia ofertas da lojona popular.
Em Pinheiros, dez horas.
Sem perceber eu trouxe no pulso o sol fake que as crianças tatuaram.
***
O poema me estala na língua,
estilhaços violando janelas inesperadas.
Sombra verde na noite insone,
imagem borrada, vontade.
O fluir hipnótico das pernas dela
no linho largo da calça.
Faz calor, uma voz ri.
É ano novo, dizem,
mas quem sou eu para saber dos ciclos?
Segunda-feira, Janeiro 12, 20092:07 AM Enquanto eu continuo na concha, fiquem com a mensagem de ano novo do Contardo Calligaris:
... Paradoxo crucial: um grupo pode se unir ao redor de uma ideologia ou de uma convicção na qual quase nenhum de seus membros, em sã consciência, acredita, mas que todos compartilham apenas PARA constituir um grupo -ou seja, pelo prazer de sair quebrando vitrinas, linchando negros e "bichas", torturando calouros, apedrejando o ônibus da torcida oposta. E qual é esse "prazer"?
Simples, é o prazer de esquecer a dificuldade de viver, tirando das costas o fardo e a responsabilidade de julgar com a nossa cabeça. Pois bem, aqui vão meus votos de um Ano-Novo corajoso, livre das pequenas (e terrificantes) complacências do nosso dia-a-dia.